Last night on Earth
Guanabara, 04 de Janeiro de 2043, oito horas da manhã. O meu Sony Hologram me desperta com um holograma de uma âncora de um programa de notícias – por sinal muito bonita – falando sobre os principais acontecimentos do dia anterior e as previsões para o que estava começando. Sinto o cheiro de pão quentinho feito no Brastemp All Cooker, programado para fazer o pão nosso de cada dia naquele horário. Uma leve dor de cabeça logo é exterminada com a injeção Headache Free, injetada diretamente no meu cérebro, via um nano canal aberto em minha têmpora.Sento à mesa do café, o holograma volta a aparecer com uma notícia preocupante. “Tensão entre China e Japão aumenta e deixa mundo a beira da Terceira Guerra Mundial”. “Você quer ver a notícia completa?”, me perguntava a simpática âncora. Eu pensei: “Já não chega a trincheira de guerra que virou a metrópole e agora falam em guerra mundial”. Com um ar de impaciência, disse. “Não, próxima”. Seguiram-se outras notícias de economia, cidade e por fim esportes, do que jeito que eu havia assinado com a operadora de Holocable local.
O Holograma volta a piscar, dessa vez é a Tatiane querendo falar comigo. “Oi amor”, disse. Emendei, “Foi cedo para o trabalho hoje?”. Ela disse. “Precisei chegar cedo para atender a dois clientes que vão a julgamento ainda hoje”. Conversamos sobre banalidades e ele me falou do que havia visto nos Holooutdoors nas ruas. “Parece que estamos prestes a ter guerra. A China e a Coréia apontaram mísseis nucleares para o Japão”. Eu disse. “Ihh, fica tranquila, essa é sexta vez em dois anos que isso acontece. Daqui a pouco eles chegam a um acordo”.
A verdade era que as relações entre China e Japão estavam estavam estremecidas há pelo menos quatro décadas. Os Estados Unidos, aliados do Japão, estavam cada vez mais insatisfeitos com os avanços econômicos da China, país que se tornara referência mundial de estilo de vida. O Chinese Way of Life era o novo bezerro de ouro em que o mundo queria se apegar. Cansado da tão falada liberdade e democracia apregoada pelos EUA durante todo o século, o mundo agora se curvava ao modo de viver dos chineses, onde tudo, até a vida dos cidadãos era comandada pelo estado, com pulso forte. A contrapartida vinha nos serviços gratuitos e bem prestados de saúde, educação e alimentação, diretamente pelo governo chinês e dos países alinhados a ele.
Por sua vez, a China e a Coréia do Norte aumentavam seu poderio militar e tecnológico em progressão geométrica, ameaçando qualquer país que se opusesse ao Chinese Way of Life. O Brasil continuava na letargia de sempre, tentando agradar a tudo e todos. Tínhamos os nossos próprios problemas para enfrentar e preferíamos olhar para eles.
Enfim, desligo o Holocable, e vou me arrumar. Entro no higienizador, tomo um banho seco – a água há muito já foi racionada – e saio cheiroso para o trabalho. O trem flutuante me faz chegar em 5 minutos ao meu destino – eu não tinha coragem de entrar nos teletransportadores porque diziam que deixa as pessoas meio pertubadas. Depois de algumas horas no casulo do escritório, novas notícias sobre a tensão na Ásia pipocam no Holocable, era meio-dia. Dessa vez, a âncora não pergunta se eu quero ouvir e vai logo soltando. “Coréia do Norte lança doze mísseis em direção ao Japão, Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra, Israel e Bélgica. Primeiro impacto deve ocorrer em 12 horas no Japão. Quatro deles estão indo em direção aos EUA. Os mísseis estão carregados com ogivas nucleares capazes de devastar os países em poucas horas”
Olho para os meu colegas e todos estão atônitos. O pesadelo virara realidade. Um novo cataclisma mundial viria se abater sobre a terra. As luzes de emergência do prédio piscam. Uma vermelhidão toma conta de todos os corredores do edifício, por conta dos alarmes que ensurdecem seus ocupantes. A informação era tão rápida quanto um piscar de olhos. Todo olho era capaz de ver no mesmo segundo em que aconteciam os fatos. Nas ruas, o pânico é geral. O trânsito, tanto das vias terrestres quanto aéreas é um caos. Começa a chover forte. As pessoas têm de se abrigar em suas capas anti-chuva ácida. Dez minutos bastam para todo o corpo estar com queimaduras de primeiro grau.
Os trens não estão mais funcionando. O excesso de passageiros danificou o sistema de flutuação. Falta luz, por conta de uma sobrecarga no sistema eletromagnético. Os holocellphones não funcionam também devido à grande demanda. Corro para o Fórum, porque sei que Tatiane vai estar lá. Fica há uns dez minutos de onde eu trabalho. "O que será do amanhã?", me martelava a cabeça enquanto eu corria para o fórum...

3 Comments:
ve se coloca o resto pq fiquei curiosa hahahahaha
beijos
Nossa!! dá até um frio na barriga em pensar nisso..
É horrível!!
Doido, tava falando do último da primeira saga, claro. Kd a continuação desse aqui? ;-)
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