8.8.06

Blog desativado

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11.1.06

Manifesto de Porra Nenhuma

Lendo um artigo do Zuenir Ventura hoje em O Globo, parei pra pensar o que é mais do que óbvio: como o brasileiro é um povo apático. Escândalos na política, operações tapa buraco no último ano de governo Lula - isso sem falar do fato de que nem 1 cm de rodovia foi construída ou melhorada de 2003 pra cá - as gigogas na praia, o atentado ao 350, impostos exorbitantes e péssima aplicação do dinheiro do contribuinte - me cobraram R$ 548 pelo IPVA de um carro 96 -, a violência urbana, o caos nos hospitais, as péssimas condições de educação seja no ensino fundamental, médio e superior.

Não dá pra parar por aí. A luz tá cara, o transporte tá caro, a alimentação tá cara. E o salário lá embaixo. As vans. Ah as vans. Seus donos estão com o estado do Rio nas mãos. Se forem desagadados criam o caos. E não há repressão da polícia. É o poder público nas mãos da bandidagem. Isso sem falar no tráfico de drogas. Causa mor da violência que vivemos.

Diante de todo esse quadro, simplesmente ninguém faz nada. Não há uma pequena revolta na rua. Ninguém se insurge contra nada. O nosso povo só quer saber de festa. Estamos loucos para que chegue o carnaval, acabamos de sair de um réveillon quando lotamos a praia de Copacabana para ver os fogos estourarem no céu e comemorar a chegada de um ano que vai ser igual a todos os outros. Teremos mais de meia dúzia de feriadões esse ano e e-mails circulam pela internet comemorando isso.

O pobre trabalha, trabalha, trabalha para ganhar um mísero salário mínimo, ou menos até. Pra dar 10% pro Pastor ou pra dar 90% pro dono do bar da esquina. Vivemos a cultura da cerveja geladinha que cura qualquel mal. Ou da oração que alivia qualquer sofrimento. Enquanto se ora na igreja aos Domingos e Quintas, ou enquanto se embebeda no bar, os políticos nos quais votamos estão receebendo dobrado para não fazerem NADA!

Enquanto isso não se vê mudanças. Ninguém muda nem de atitudes. Continuamos a sujar nossas ruas, nossas lagoas, nossas praias. Quebramos orelhões, estragamos o transporte público. Vivemos ainda a cultura da malandragem. O mais esperto é o que se dá bem. Compramos roubado ou falsificado, para nos roubarem depois de novo. Quanta burrice. Que povo burro esse nosso. "Vou chamar a polícia". "Eu sou a polícia". A polícia te ameaça em vez de te proteger e protege o bandido em vez de ameaçá-lo.

Que país é este? É a porra do Brasil, como todos cantam quando toca a canção do Renato Russo. Porque não só "é o Brasil, porra"? Até nossa pátria temos o costume de esculhambar. A esperança venceu o medo. Que esperança? Que medo? Só saímos perdendo. Não tenho uma dia que abramos e jornal e pensemos, "hoje eu ganhei".

E eu? O que estou fazendo? Nada. Sou mais um no meio da multidão de zumbis em que vivemos. O único instrumento que tenho coragem de usar para expressar minha revolta é esse. Umas bobas palavrinhas num blog. A sensação de impotência que me invade deve ser a mesma de todos os brasileiros. O que vou fazer? Eles estão lá, eu aqui. Não consigo vislumbrar mais um futuro decente para o Brasil. Perdi a esperança. Eu luto pelo meu, você luta pelo seu, e assim proseguimos. Em busca de nada. Em busca de nada. Em busca de nada.

10.1.06

Dia doido

Hoje tive o primeiro péssimo dia de 2006. Não produzi nada no trabalho, não consigo alugar o concentrador de oxigênio para o meu pai e ainda "briguei" com um cara no Metrô. O diazinho. Mas vou fazer um exercício de Polyana. O famoso para uns e nem tão famoso para outros Jogo do Contente.

Bem, vamos começar pela parte do trabalho. Não produzi nada hoje, mas consegui informações valiosas para a matéria de distribuição. Acho que vai sair. No final do dia ainda consegui marcar uma entrevista que acho que vai ser fundamental para a abertura do especial de energia térmica. Hein? Esquece.

Sobre o aparelho para o meu pai, bem, vamos ver o lado bom disso. Ainda não precisamos desembolsar os R$ 300, embora pareça inevitável que isso aconteça. Lembrei do nome de outra empresa de fornecimento de oxigênio. A Air Liquid. Vou tentar amanhã.

Sobre a briga no metrô, dessa eu tirei uma lição positiva, cujo conteúdo prefiro deixar bem quietinho aqui no canto do meu cérebro. Fora isso, descobri que de ontem pra hoje reduzi 1 cm de barriga - a meta é chegar a 80 cm - e ainda ouvi um "eu te amo" da Taty.

O saldo foi positivo. Amanhã será melhor

3.1.06

Desvios de verba

Editorial de O Globo, publicado em 03/01/2006

Ainda que a Secretaria estadual de Saúde tenha toda a razão quando afirma que cada real que é aplicado em saneamento básico permite economizar no setor de saúde, é inadmissível que essa equação seja apresentada como explicação para a falta de investimentos nos hospitais. O mesmo tipo de argumento inaceitável, aliás, já foi usado pelo governo federal para inflar o Bolsa Família.

Mas o fato é que o cidadão que busca atendimento na rede pública não quer saber quanto se está aplicando na rede de esgotos ou na compra de tubos para o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara: quer ser, e tem o direito de ser, atendido.

A prioridade com que o saneamento é tratado em detrimento da saúde, aliás, encontra uma ilustração que seria irônica, não fosse dramática, no vazamento de esgoto no centro cirúrgico do Hospital Pedro II, em Santa Cruz, que há pouco mais de um mês obrigou ao cancelamento de cirurgias.

A escandalosa precariedade dos hospitais não foi suficiente para que o estado deixasse de investir este ano, até setembro, mais de R$ 450 milhões na saúde — aplicações aliás exigidas por lei. Não que não houvesse recursos: dinheiro existia, mas foi empregado, entre outros programas, no Restaurante Popular e no Cheque Saúde Cidadão (R$ 91 milhões), na Farmácia Popular (R$ 26,9 milhões) e em juros do financiamento do programa de despoluição — por sinal, de resultados, até hoje, pífios.

Semelhante ao sofisma de que o investimento em saneamento permitirá economizar recursos na saúde é o outro argumento do governo estadual, de que cuidar de questões como a alimentação popular é equivalente a investir em saúde, porque evita que a população mais carente fique doente.

Enquanto isso, pacientes com problemas renais crônicos — que, como se sabe, não melhorarão se forem bem alimentados, no restaurante a um real ou onde quer que seja — não recebem medicamentos com a regularidade de que necessitam, e nos hospitais em estado de abandono tornaram-se rotina elevadores parados e carência de tudo — de médicos, de remédios, de leitos e até de macas. É o resultado desse empedernido descaso das autoridades estaduais.

22.11.05

O sentido da vida


Hoje vinha no metrô e nesses lugares sempre me vêm à cabeça pensamentos meio loucos. Olhando para as pessoas a minha volta comecei a refletir sobre o sentido da vida. Cada um daqueles rostos, uma incógnita. Possivelmente a maioria voltando para casa depois de um cansativo dia de trabalho, mas pra quê?

Fico pensando. Porque vamos e voltamos todos os dias de casa para o trabalho, do trabalho para casa? Pra ganhar dinheiro, dirá a leitora mais precipitada. E ganha-se dinheiro para ter algum conforto e dar conforto a quem a gente ama.

Pronto, cheguei na família. Todas aquelas faces, também possivelmente, estavam indo para casa, encontrar uma esposa, um filho, uma filha, um marido, um irmão, uma irmã, um namorado, uma namorada, um noivo, uma noiva. Eu especialmente estava indo cortar cabelo.

O fato é que vamos vivendo, trabalhando, dando conforto para quem amamos, esperando chegar o fim de semana pra tomar aquela cerveja gelada, pra jogar aquele futebol, pra dar uma boa namorada, ir ao cinema, praia, shopping, etc. E assim vamos levando a vida, no piloto automático. Vivendo um dia atrás do outro.

Penso que o sentido de viver é deixar um legado para os que aqui vão ficar quando morrermos. Senão, qual é a graça que tem, essa passagem média de 75 anos pela terra, e depois que a morte nos assombrar, cairmos no esquecimento, no limbo dos que viveram pra nada?

Claro, há os que acreditam na vida após a morte, mas isso não está em discussão. E sim, o que vamos fazer do tempo que passamos nesse planeta, nessa dimensão cósmica que torna possível nossa vida.

Chego ao final do texto sem uma idéia formada na cabeça. Pelo sim, pelo não, prefiro adotar a teoria de que temos que amar. Amar sempre. Amar a todos que estão a sua volta. Porque através de verdadeiro amor nunca se é esquecido. Amarmos nossos companheiros, nossos filhos, nossos netos, os netos de nossos netos. O amor vai se transmitindo de geração em geração e fica, acredito eu, pela eternidade.

Mas a pergunta continua. Qual o sentido da vida? Não sei. Quem souber, por favor, não deixe de me contar.

21.10.05

Falta bom senso


Se eu tinha dúvidas, hoje elas acabaram. A legislação brasileira é um lixo. O crime por aqui compensa, e muito. Cheguei a esse conclusão em razão da principal manchete dos jornais de hoje: Maluf é Solto pelo STF. Meu Deus do céu, o que é isso? O pior foi o motivo que levou os ministros do supremo a soltarem o pobre senhor Maluf e seu filho Flávio. Tenho absoluta convicção que a causa de todas as mazelas brasileiras tem origem no nosso Direito.

Vamos aos fatos: os dois estavam presos, pois coagiram uma testemunha relacionada no processo judicial que respondem, o doleiro Vivaldo Alves. Só que no tal processo o doleiro figura como co-réu, junto com os Maluf. Aí apareceu o brilhante advogado de defesa dos dois, semeou e colheu: já que o cara também é réu, não há irregularidade alguma no diálogo entre réus. Pronto, bastou para que o STF se sensibilizasse e concedesse o alvará de soltura para eles.

O que eu me questiono a todo momento é que na Justiça brasileira não existe um termo chamado bom senso. Ora bolas, se o cara figura como co-réu, mas também é testemunha e ele foi coagido, a irregularidade existe e portanto a privação da liberdade para os coatores é mais do que necessária. O que falta com relação ao bom senso, sobra na cara de pau dos magistrados. Olha na íntegra a declaração do ministro Carlos Velloso.

-— Eu realmente imagino o sofrimento de um pai preso na mesma cela que um filho. Isso me sensibiliza

Enquanto não houver no país uma reforma no funcionamento do Judiciário, uma legislação que puna de verdade o colarinho branco e bom senso, absurdos como esse continuarão acontecendo todos os anos, em todos os governos, em todas as esferas do poder e da sociedade. Pois não pense, minha cara leitora, que você não tem nada a ver com isso. Tem e muito. Isso é tudo falcatruagem feita com dinheiro público, que poderia ser usado para melhorar nossos hospitais, escolas e nos dar um pouquinho mais de segurança. Enquanto isso, o que se discute no Brasil é se devemos proibir ou não o comércio de armas. Faça-me o favor.

3.10.05

Sobre pênis e patologias


Presumindo que eu tenha mais de oito leitoras, algumas das que lerem as próximas linhas, vão se lembrar dessa situação, que é parte verídica, parte ficção. Pra quem não lembrar, vale a leitura:

O ano era 1998, final de Copa do Mundo, Brasil e França, todos na rua reunidos em volta da TV, prontos para verem o Brasil ser penta campeão. Na Globo, Galvão Bueno anuncia.

- Ronaldinho teve uma crise convulsiva e não se sabe se ele vai jogar e sob que condições isso vai acontecer...

Espanto geral. Todos se perguntando o que havia acontecido. Na minha empolgação vascaína, digo.

-Coloca o Edmundo que o Brasil traz o penta

Afinal, um ano antes, ele havia enlouquecido defensores – sobretudo os do Flamengo – e goleiros, levando o Vasco ao título de tri-campeão brasileiro.

O jogo começa. A França faz um. Faz dois. Faz três. O Brasil é surrado em pleno Champs Elysée. Tristeza geral, ao que se ouve vindo da esquina da rua.

-Vou queimar a mendiga!!!!

Correria geral, alguns empolgados, como eu, ainda dão gritos de incentivo correndo em direção a cena do crime, achando que tratava-se de uma brincadeira. No auge dos meus 19 anos, não se esperava nada melhor que isso de mim. Ao chegarmos perto das coisas da senhora que “morava” embaixo da marquise da esquina de nossa rua, o amigo que havia feito a ameaça, a cumpre. Um fogaréu daqueles, cheiro de gasolina, fez os únicos pertences da mendiga se queimarem em poucos minutos. As discussões começam.Um outro amigo sai no braço com o próprio tio. O caos estava instalado na rua. Aquilo havia virado um verdadeiro pandemônio. Todos se revoltam com o amigo incendiário, q quem vou chamar de J.. Imagine a cena, todos com elevado grau de álcool no sangue, revoltados com o vexame brasileiro no futebol e agora tendo em quem descontar sua raiva, claro, no nosso amigo incendiário.

Nesse tipo de evento, sempre tem um mais valente do que os outros. De repente sai de casa, um outro amigo, a quem chamo de E., querendo tirar satisfações com nosso amigo com gosto pela pirotecnia. Portava uma arma. Ao chegar perto do seu alvo, deu o primeiro tiro. Errou. Mas acertou o próprio sobrinho, que estava do outro lado da rua. Pânico geral. Deu o segundo. Dessa vez, acertou J. (o incendiário) no peito. Não satisfeito, deu outro, que pegou em seu próprio irmão, que tentava separar a briga. Matou o irmão e o seu sobrinho. Depois de tomar consciência do que fez, chorou e enlouqueceu. Pra sempre, nunca mais conseguiu ser normal. Hoje vive num manicômio judiciário.

Felizmente, desde a frase “portava uma arma”, a história resvalou pra ficção. Ele tinha na verdade uma faca. E depois de muita confusão, conseguiram imobilizá-lo e tirarem de sua cabeça a idéia de matar nosso amigo J.

A esta altura do texto, a leitora mais atenta já deve ter percebido que vou falar da polêmica em torno da proibição do comércio legal de arma no país. Engana-se já quem acha que vou defender desveladamente o voto no Sim, ou seja, na proibição do comércio de arma. Engana-se igualmente e mais redondamente ainda, quem pensa que voto no Não.

É certo que se E. portasse realmente uma arma naquela tarde de junho, teria havido uma tragédia sem precedentes na história da Belisário Pena. Por isso é mais do que válido o argumento dos que argumentam a favor da proibição do comércio de armas no Brasil.

Outrossim, a proibição do comércio de armas em nada teria mudado aquela situação. E. não tinha arma porque nunca quis ter. Talvez tivesse consciência de seu temperamento estourado. Se ele realmente desejasse ter uma arma de fogo, ele a teria, sendo o comércio legal ou não. Estão aí os que se drogam para nos dar o exemplo. E assim acredito que vai ser, mesmo com o comércio proibido.

Como diria Valtinho, “primeiro de tudo” (sic) não acho que o cidadão tenha arma para se defender. Ele a tem, mais por símbolo de poder, de que por qualquer outra coisa. Ele projeta na arma, aquilo que não tem capacidade de fazer com as mãos livres: se impor diante dos outros. É coisa de gente que tem um instinto assassino recalcado dentro de si, esperando apenas uma justificativa para libertá-lo e realizar os mais profundos desejos. Elas são usadas para vingança, são usadas para tirar satisfação. Nunca pra se defender. Legal ou ilegal, não as quero perto de mim.

E aí, presumo, quem tem essa patologia assassina não vai se abster de andar armado por causa de uma lei. Gente, isso é Brasil, não a Suíça. Isso a terra da pirataria, da mutretagem, do cafezinho do guarda, do tráfico de drogas, da corrupção no mais alto escalão do poder. E os desgraçados vão continuar com a projeção de seus próprios pênis nas mãos – ou guardados dentro dos armários – esperando aquele vizinho olhar um pouco diferente para sua namoradinha. Pow, pow, pow. Três tiros na cabeça. Igual aos que a França deu no Brasil.

A vitória do Sim no referendo vai ainda nos dar de presente uma nova leva de traficantes – os de arma. Vai ser um negócio tão bom que a concorrência com as drogas vai ser acirrada. Salvo pelo fato de que serão os mesmos bandidos em duas áreas de atuação diferentes. Apenas uma nova fonte de receita para eles se fortalecerem e quem sabe um dia tomarem nossas casas – estejamos armados ou não. Vai dobrar o faturamento. Só assim o país cresce. Ah se o tráfico entrasse na conta do PIB.

Mesmo assim não voto pelo Não. Aliás, pelo sim, pelo não, prefiro me responsabilizar por tirar a arma desses doentes do que por deixá-las nas mãos deles. Não quero ter que conviver com o medo de olhar para uma mulher na rua e ganhar um tiro no meio das ventas. De ir a um churrasco e ser baleado por ser vascaíno. Ou de ser chacinado por um desabafado “filho da puta” no trânsito. Fica aí para as minhas leitoras a reflexão, uma maneira de argumentarem com seus respectivos, que antes desarmado e “indefeso” do que armado e perigoso.

A conclusão a que chego é a que já cheguei três parágrafos acima. Independente de “quem” vencer, somos nós os cidadãos que vamos sair perdendo. Pois continuaremos nas mãos dos bandidos. E também dos infelizes que usam suas pistolas como símbolo fálico – assim como fazem com seus carros – , da projeção da macheza que não têm, porque não nasceram homens mesmo. Não têm nem mãe provavelmente. Nasceram frangotes. Mas esses, fico tranqüilo, não sabem ler mesmo, por isso não chegarão nunca a essa última linha.