21.10.05

Falta bom senso


Se eu tinha dúvidas, hoje elas acabaram. A legislação brasileira é um lixo. O crime por aqui compensa, e muito. Cheguei a esse conclusão em razão da principal manchete dos jornais de hoje: Maluf é Solto pelo STF. Meu Deus do céu, o que é isso? O pior foi o motivo que levou os ministros do supremo a soltarem o pobre senhor Maluf e seu filho Flávio. Tenho absoluta convicção que a causa de todas as mazelas brasileiras tem origem no nosso Direito.

Vamos aos fatos: os dois estavam presos, pois coagiram uma testemunha relacionada no processo judicial que respondem, o doleiro Vivaldo Alves. Só que no tal processo o doleiro figura como co-réu, junto com os Maluf. Aí apareceu o brilhante advogado de defesa dos dois, semeou e colheu: já que o cara também é réu, não há irregularidade alguma no diálogo entre réus. Pronto, bastou para que o STF se sensibilizasse e concedesse o alvará de soltura para eles.

O que eu me questiono a todo momento é que na Justiça brasileira não existe um termo chamado bom senso. Ora bolas, se o cara figura como co-réu, mas também é testemunha e ele foi coagido, a irregularidade existe e portanto a privação da liberdade para os coatores é mais do que necessária. O que falta com relação ao bom senso, sobra na cara de pau dos magistrados. Olha na íntegra a declaração do ministro Carlos Velloso.

-— Eu realmente imagino o sofrimento de um pai preso na mesma cela que um filho. Isso me sensibiliza

Enquanto não houver no país uma reforma no funcionamento do Judiciário, uma legislação que puna de verdade o colarinho branco e bom senso, absurdos como esse continuarão acontecendo todos os anos, em todos os governos, em todas as esferas do poder e da sociedade. Pois não pense, minha cara leitora, que você não tem nada a ver com isso. Tem e muito. Isso é tudo falcatruagem feita com dinheiro público, que poderia ser usado para melhorar nossos hospitais, escolas e nos dar um pouquinho mais de segurança. Enquanto isso, o que se discute no Brasil é se devemos proibir ou não o comércio de armas. Faça-me o favor.