Feliz dia do amigo
Ontem foi o dia do amigo. Não sei bem quem convencionou isso, mas é até bem razoável que esses seres aos quais chamamos amigos tenham um diazinho dedicado a eles. Afinal essas pessoas medíocres não servem pra nada mesmo e são meros coadjuvanes na nossa trajetória pela vida. Discorda? Então siga minha linha de raciocínio.
Na maioria das vezes nossos primeiros amigos são aqueles que conhecemos na escola. Lá no jardim de infância. Nesse ponto da vida não se pode esperar muito de uma amizade, afinal nossa percepção do mundo ainda é extremamente superficial. Até porque também nessa fase da vida, não temos problemas, não temos o que dividir com nossos próximos. Só brincamos, brincamos e brincamos, e eventualmente aprendemos algo também.
Bem, aí você vai para o que hoje é chamado de ensino fundamental (na minha época, primário). Aos poucos, com a convivência diária com os colegas de turma – e de pátio também – a tendência é que as afinidades venham aparecendo e de uma hora pra outra você descobre que tem um amigo(a). É, aquele que você prefere andar junto, que faz parte de mais de 50% de suas conversas, que é seu adversário no videogame, no futebol e para os que gostam, na amarelinha...argh!
Os anos passam, a amizade vai crescendo. Você já almoça – e porque não dizer que janta – na casa dele nos fins de semana, ele come na sua, e aquele relacionamento bonito vai crescendo, crescendo, crescendo e mesmo que um dia uma briguinha ou outra faça com que vocês deixem de se falar, no fundo gostam muito um do outro.
Até aí nada, devem estar pensando meus oito comprovados leitores. Mas a gente cresce. Novas amizades vão aparecendo, novos relacionamentos sendo construídos e...é aí que a coisa começa a desandar. Você se apaixona por aquela menina (o) linda da faculdade, namoram, resolvem casar, se mudam e...perdem o contato com o amigo.
Ou então, você arruma um emprego, é promovido ou se muda de cidade. E aí o que acontece? Os amigos se afastam. Até mesmo uma mudança de vizinhança, de faculdade, de colégio, etc, muda incontestavelmente nosso ciclo de amizades.
Muitos podem até argumentar – e vão, é óbvio, até porque é o que as pessoas mais gostam de fazer – que isso não quer dizer nada, porque a verdadeira amizade resiste ao tempo, ao espaço, ao casamento, etc. Aquele velho blá, blá, blá de que o sentimento continua.
Sim, concordo, mas também você não pode discordar que nenhuma, eu disse nenhuma decisão na sua vida, você toma em função dos amigos. O amigo está ali de enfeite, ele não interfere em nada. E não é culpa dele, até porque você também é amigo. Os dois são amigos...ih esse texto tá ficando confuso.
Enfim, o casamento está muito acima dessa amizade, mesmo que seja um fracasso. Afinal você não pergunta pro seu amigo o que ele acha de você casar com fulaninha. E o emprego? Você não deixa de trabalhar na França por causa de um amigo. Talvez sim por causa da família, do emprego, do cachorro, é do cachorro – aquele que é o melhor amigo do homem – mas nunca, ou pelo menos quase nunca, por causa do amigo.
Ou seja, a amizade, se for colocada numa escadinha, está lá embaixo nos degraus que representam as prioridades dessas pessoas. Não me venham dizer que é uma pessoa sem amigos que está escrevendo isso, pois estão enganados. Tenho amigos sim, não muitos, mas verdadeiros.
Mesmo assim, gostaria de desejar a todos os meus amigos, aqueles cujas decisões que vão tomar em suas vidas, nunca serão interferidas pela minha existência, um feliz dia do amigo. Com um atraso de um dia, é claro, só por vingança. Amigos, amo todos vocês.
